quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Salve Augusto Caminho


(O pensamento deste post é de autoria de Augusto Caminho)


"É nos intervalos em que fica mais fácil de se voltar para Deus, no intervalo dos pensamentos, da respiração, das relações.Depois fica mais fácil encontrar Deus nas relações, na respiração, no pensamento ..."

domingo, 22 de fevereiro de 2009

No portal do reino do amanhã


(Esta poesia já tinha sido publicada num blog mais antigo que infelizmente foi abandonado no meio do caminho. Hoje estava revendo-o e achei que ela merecia ser publicada novamente)


Sonhe em meus olhos
Um sonho quase perfeito -
Veja revoar os pássaros
Em ardente migração
Rumo a um sol poente.

Persiga o amanhecer
Persiga o sol pálido
Que se atira sobre a relva
Úmida de manhã,
Úmida de desejo,
Úmida e pura,
Persiga...

Sonhe o vento -
O vento brisa
E o vento desvario,
Vento tempestade:
Verdade
Que sopra no tempo.

Sonhe em meus olhos
Um sonho doce e pavoroso
Um sonho como nenhum sonho,
Tão límpido e infinito.

Sonhe em meus olhos,
E aprenda e se abra
E receba como um broto
E enfim adormeça -
Para então despertar
Como silêncio e surpresa
Num reino do amanhã,
E viver mais duradouro
Um outro tipo de sonho...

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Dialética



A memória é a atividade intelectual humana que estimula o pensamento livre sem decréscimo do rigor.

A palavra falada fertiliza o pensamento na desenvoltura do encontro, do contato e da presença viva.

O disco do mundo


Transexperiência


O disco do mundo gira cada vez mais rápido e misturado enquanto os acontecimentos e seu espírito se desenvolvem e se coadunam comutados e amostrados um a um numa sopa indissociável de tentativas e erros e acertos e erros novamente em fluxo sem parar. A nova linguagem é o novo momento, um novo contato, mais um rebento que se tensiona e se ramifica em novas experimentações. Se a acusação (porque do acusador o homem sempre padece) for de que isso é muito vago e nada diz, atente que o rumo das coisas entremeadas numa rede é sempre vago demais para a compreensão, mas nem por isso deixa de ser sólido e palpável em seu vir-a-ser real, já que cada coisa é sólida em testificar o seu devir na sua própria imediatez instantaneamente sincronizada com tudo o mais, inextricavelmente irrevogável na medida em que tudo acontece. Só a experiência trans-subjetivada serve de guia no vetor consciente do momentum único da vivência: vacuidade. Cada sensciente é uma chance, uma oportunidade irrecuperável e nenhum demérito é suficiente para privar-lhe do respeito que implica.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Rhumus míticos


Deitado num banco de rodoviária onde coisas e pessoas se fazem trânsito, espalhando-se por toda parte, trânsito em transe no som alto que sai dos monitores de tevê, nos seriados noturnos midle class mentality. Daqui pra lá, param esperam conversam, convergem para em seguida divergir on the road. Avalio na mente os pontos de vista que herdei do passado sem ter pedido por nada, os grandes mitos que fazem olhos espreitarem na desconfiança de que algo não vai bem com o modo como as coisas caminham, mas deve haver um que seja correto, que nos leve a contemplar modos mais altos de se existir. Não quero me interessar agora pela origem das palavras e nem com o que elas querem significar, simplesmente deixo-as significar-se para que as sendas se desobstruam como ramificações douradas e os mitos se entreguem à purificação de sua própria busca; não posso negar os mitos, mas devo partir deles rumo ao estágio pleno de compreensão correta daquilo do qual inserido e entremeado faço parte. Os mitos transitam em transe pela rodoviária nesta noite: não há verdade, apenas compreensão correta. A busca não rompe raízes, mas transforma-se como uma planta e floresce e frutifica e abandona folhas, flores e frutos que o solo acolhe em sua ininterrupta digestão como morada pra os nutrientes. Lanço meus galhos para a luz sem medo ou desespero, nesta noite de primavera os caminhos são imensos, impertubáveis, e eu não posso me furtar de me alegrar com tudo isso deitado num banco de rodoviária entre sons e transeuntes... AHO!...

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Insípida


Ando insone e calado por lugares onde as pessoas dormem no abraço da fome hedônica da psicotropia, vozes, falas e nevoeiros de porções lisérgicas. Não participo de nada, apenas observo, ouço. Eu calo e estremeço, mas não poderia pertencer a outro lugar... É como se vivesse num limbo insípido, um purgatório privado de êxtase e danação flutuando na inércia anticonvulsionante de uma pílula de paciente e casta psicodelia. Esta noite chove em silêncio em meio à agitação e burburinho duma reunião qualquer de pessoas, simplesmente esta.

Gravitação


A chuva ainda cai lá fora enquanto o homem gravita a máquina com olhos estalados, procurando sem cessar, sem saber bem o quê. gravita a multimáquina onde tudo se fantasia em bits pra ser entregue à fome insana e supérflua do que cintila e soa escondendo o vazio absurdamente abundante naquele a quem é dado viver. Por si só a máquina domina sem sequer pensar. Sem vontade de poder ela já pode mais que seria capaz de querer. O homem dorme e mesmo dormindo indaga-se confuso sobre o que ocorrerá quando a máquina despertar. Comunicar, absorver, absorver mais (o que mais?)... E a chuva ainda cai... Lá fora madrugada afora enquanto o homem gravita a máquina sem cessar... Maquinária afora, madruga a alma drogada, zonza e ansiosa, sentindo a chuva lá fora... Absorver mais... Absorver-se mais e mais numa lembrança remota que insiste surda e grave, próxima e voraz ainda que sumida na incessante torrente informacional. A lembrança ancestral ecoa, lá fora a chuva parece mais segura, lá na rua a vida futura flutua quase à toa, respira quase pura uma vida a mais... Porém o homem, só, gravita a máquina e mal se fez ainda um elo que já não se desfaz. Homem-híbrido-máquina. No entanto ele ouve, ele sabe que em algum lugar a chuva ainda cai... paciente e silenciosa, mas cai... cai... e cairá até que ele todo se encha, transbordando como um rio, apenas deixando-se levar para enfim ver chegar a hora de escapar para ser o que se é...