Deitado num banco de rodoviária onde coisas e pessoas se fazem trânsito, espalhando-se por toda parte, trânsito em transe no som alto que sai dos monitores de tevê, nos seriados noturnos midle class mentality. Daqui pra lá, param esperam conversam, convergem para em seguida divergir on the road. Avalio na mente os pontos de vista que herdei do passado sem ter pedido por nada, os grandes mitos que fazem olhos espreitarem na desconfiança de que algo não vai bem com o modo como as coisas caminham, mas deve haver um que seja correto, que nos leve a contemplar modos mais altos de se existir. Não quero me interessar agora pela origem das palavras e nem com o que elas querem significar, simplesmente deixo-as significar-se para que as sendas se desobstruam como ramificações douradas e os mitos se entreguem à purificação de sua própria busca; não posso negar os mitos, mas devo partir deles rumo ao estágio pleno de compreensão correta daquilo do qual inserido e entremeado faço parte. Os mitos transitam em transe pela rodoviária nesta noite: não há verdade, apenas compreensão correta. A busca não rompe raízes, mas transforma-se como uma planta e floresce e frutifica e abandona folhas, flores e frutos que o solo acolhe em sua ininterrupta digestão como morada pra os nutrientes. Lanço meus galhos para a luz sem medo ou desespero, nesta noite de primavera os caminhos são imensos, impertubáveis, e eu não posso me furtar de me alegrar com tudo isso deitado num banco de rodoviária entre sons e transeuntes... AHO!...
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Rhumus míticos
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"Me lembro bem desta noite.
ResponderExcluirDeitado em meu colo em um lugar qualquer da rodoviária, esperávamos"...
Adoro esses seus textos de filosofia-poética sem se preocupar com as formas...
Beijos Bi