domingo, 15 de fevereiro de 2009

Gravitação


A chuva ainda cai lá fora enquanto o homem gravita a máquina com olhos estalados, procurando sem cessar, sem saber bem o quê. gravita a multimáquina onde tudo se fantasia em bits pra ser entregue à fome insana e supérflua do que cintila e soa escondendo o vazio absurdamente abundante naquele a quem é dado viver. Por si só a máquina domina sem sequer pensar. Sem vontade de poder ela já pode mais que seria capaz de querer. O homem dorme e mesmo dormindo indaga-se confuso sobre o que ocorrerá quando a máquina despertar. Comunicar, absorver, absorver mais (o que mais?)... E a chuva ainda cai... Lá fora madrugada afora enquanto o homem gravita a máquina sem cessar... Maquinária afora, madruga a alma drogada, zonza e ansiosa, sentindo a chuva lá fora... Absorver mais... Absorver-se mais e mais numa lembrança remota que insiste surda e grave, próxima e voraz ainda que sumida na incessante torrente informacional. A lembrança ancestral ecoa, lá fora a chuva parece mais segura, lá na rua a vida futura flutua quase à toa, respira quase pura uma vida a mais... Porém o homem, só, gravita a máquina e mal se fez ainda um elo que já não se desfaz. Homem-híbrido-máquina. No entanto ele ouve, ele sabe que em algum lugar a chuva ainda cai... paciente e silenciosa, mas cai... cai... e cairá até que ele todo se encha, transbordando como um rio, apenas deixando-se levar para enfim ver chegar a hora de escapar para ser o que se é...

Um comentário:

  1. Quanto tempo desperdiçado!
    Deveria ter começado a postar muito antes.
    Te amo. Beijos Bibi.

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